GUERRA ENTRE MENDONÇA E MORAES PROVOCA CRISE NA POLÍCIA FEDERAL
GUERRA ENTRE MENDONÇA E MORAES PROVOCA CRISE NA POLÍCIA FEDERAL
A disputa entre os ministros do STF André Mendonça e Alexandre de Moraes ganhou novos capítulos e provocou mudanças na cúpula da Polícia Federal. Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência policial, Leandro Almada, alegando suspeitas de monitoramento ilegal e apontando possíveis omissões e participação de integrantes da instituição.
A decisão provocou forte reação dentro da própria Polícia Federal. Ao menos 11 diretores colocaram seus cargos à disposição, manifestando apoio a Andrei Rodrigues e Leandro Almada e classificando os afastamentos como resultado de “ataques injustificados”. Rodrigues foi substituído interinamente por William Murad, que ocupava a função de executivo da PF e era o segundo na hierarquia da instituição.
O caso também aumentou a tensão dentro do Supremo Tribunal Federal. O afastamento dos dirigentes da PF passou a ser analisado pela Segunda Turma do STF e chegou a formar maioria favorável à decisão de Mendonça, mas o julgamento foi interrompido após um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. A medida também passou a enfrentar resistência de outros integrantes da Corte.
Segundo a matéria, a crise teve origem em informações de inteligência produzidas pela Polícia Federal entre 3 e 31 de agosto. Nesse período, pelo menos seis relatórios foram elaborados e entregues a Alexandre de Moraes. Na semana anterior, um relatório interno da PF havia sido utilizado por Moraes para solicitar a investigação de Mendonça no inquérito das fake news. Posteriormente, o presidente do STF, Edson Fachin, retirou o pedido das mãos de Moraes e assumiu o caso.
A decisão de Mendonça também gerou críticas de juristas e especialistas. Um dos principais questionamentos é sobre a possibilidade de um ministro do Judiciário determinar o afastamento de integrantes da Polícia Federal, instituição vinculada ao Poder Executivo. Críticos consideram que uma medida dessa natureza, especialmente envolvendo suspeitas criminais, deveria partir de órgãos como a própria PF, o Ministério Público Federal ou a defesa.
Por outro lado, apoiadores da decisão citam como precedente uma determinação de Alexandre de Moraes, em 2020, quando o ministro suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal após ação apresentada pelo PDT. O episódio atual, porém, amplia o embate entre os ministros e coloca a própria estrutura de comando da Polícia Federal no centro de uma disputa institucional dentro do STF.



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